“Quando uma pessoa diz: ‘Estou vivo!’, toda manhã que acorda, recebe um bônus”. Sêneca fala na Carta 12 a Lucílio, “Sobre a velhice”, que o escopo de nossa vida é constituído por círculos – de maiores para menores. Do nascimento à morte seria o grande círculo de nossa existência, depois o da juventude, da infância, dos anos, dos meses e, então, dos dias. “O menor círculo de todos é o dia; mas mesmo o dia tem seu começo e seu término, seu nascer e seu pôr-do-sol”. Há, então, em um dia, o reflexo de toda a nossa existência. “Portanto, todos…
Pratique o pior cenário “Separe alguns dias durante os quais você se contente com o que há de mais pobre e barato, vista-se de forma simples e rústica, enquanto isso, pergunte-se: ‘é esta a condição que eu temia?’”. – Sêneca Podemos nos prender a situações por medo – medo de perder tudo, medo de mudança, medo de ter que se adaptar a condições mais simples do que a que estamos acostumados. Mas e se você praticasse “o pior cenário” (Premeditatio Malorum), digamos, de forma controlada? Será que você ainda acharia tão insuportável ou você conseguiria se livrar de um tanto…
E se encararmos os obstáculos no caminho como novos estímulos e novos esforços que podem nos levar a diferentes adaptações – na nossa mente e no nosso corpo? Adaptação é sobrevivência. Tudo o que acontece é um teste, um teste sobre qual caminho seguir para saber se você sucumbirá aos seus vícios ou emergirá em consonância com as suas virtudes. Na vida adulta, é sua tarefa, mais do que nunca, passar nesses testes e escolher salvar a sua mente e o seu corpo. Busque a liberdade. E a liberdade é entender as limitações da Natureza, e focar toda a sua…
A minha alucinação é suportar o dia a dia. E meu delírio é a experiência com coisas reais – Belchior
Se tem um tema que me intriga no Estoicismo hoje é a interpretação errada, ou no mínimo confusa, sobre os estoicos serem pessoas sem sentimentos (há também a questão de negligenciar o seu caráter social, mas essa fica para outro texto). Por isso, é reconfortante ler filósofos contemporâneos – como Massimo Pigliucci, Donald Robertson ou William B. Irvine – que refutam essa ideia de forma frequente e embasada. “Quando lemos sobre os estoicos ou lemos suas obras, o que encontramos são indivíduos que podem ser descritos como alegres. Eles eram muito bons em encontrar as fontes de deleite da vida…
“Diga-me por que meios a tristeza e o medo podem ser impedidos de perturbar minha alma, por que meios eu posso afastar esse fardo de desejos escondidos. Faça alguma coisa!” Sêneca Para não desperdiçar o seu tempo, defina o seu propósito e os seus valores – e a partir daí siga sempre ajustando a rota para não se afastar deles. Não fique parado. Faça alguma coisa! Para não se entregar às tristezas ou aos vícios (ou mesmo tornar a tristeza um vício), aceite a sua vida como ela é – e a partir daí trabalhe com o que você consegue…
Trate o que você não tem como inexistente. Observe o que você tem, as coisas que você mais valoriza, e pense o quanto você as desejaria se não as tivesse – Marco Aurélio A citação de Marco Aurélio é um antídoto contra a inveja e um remédio para alcançar a gratidão. E se não fosse uma opção (porque não é) desejar o que você não tem? Não estou falando – e imagino que Marco Aurélio também não – de traçar planos e metas, de querer e comprometer-se pessoalmente com suas melhorias e progressos. O fato é desejar o que está…
“Não se sinta exasperado, derrotado ou desanimado, porque nem sempre os seus dias são cheios de ações sábias e morais. Volte a se levantar quando você falhar, celebre o comportamento humano – ainda que imperfeito – e abrace completamente a busca na qual você embarcou” – Marco Aurélio, Meditações, 5.9. Que essa busca seja a de melhorar o seu caráter a cada dia. Para nós, o Estoicismo é a filosofia que nos ajuda nesse caminho. O Estoicismo é uma filosofia prática. Essa é uma das características que a torna tão relevante até os dias de hoje. O que não significa…
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Como seres humanos, e não sábios estoicos em sua perfeição, ainda erramos! Quando isso acontece, porém, temos escolhas. Não se deve deixar espaço apenas para o arrependimento e para o remorso. Esses sentimentos só trazem mais sofrimento, podendo nos deixar paralisados. Para sair desse estado, temos a opção de aceitar o que aconteceu e – se possível – tentar de alguma maneira ajustar o nosso próprio erro. Para partir para a ação, porém, é preciso primeiro reconhecer a falha, tendo consciência do erro e de suas consequências. É impossível tentar ajustar o que você não sabe ou não acha que…
Para que propósito, então, eu faço um homem meu amigo? A fim de ter alguém para quem eu possa morrer, que eu possa seguir para o exílio, contra cuja morte eu possa apostar minha própria vida, e pagar a promessa depois. – Sêneca Carta 9, “Sobre Filosofia e Amizade” Cartas de um estoico, Volume I, de Sêneca Livros de Sêneca